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Apesar de actualmente nos encontrarmos rodeados de tecnologia, há vários casos em que dificilmente somos apresentados às ferramentas que nos podem ser verdadeiramente úteis.
O gnuplot é um bom exemplo de ferramenta de valor, com capacidade de renderização de gráficos a duas e três dimensões, e fornecendo, no seu leque de funcionalidades, formas de proceder ao tratamento estatıstico de dados.
Este trata-se de um guia (muito) básico, servindo apenas para permitir a uma pessoa começar a explorar e usar o GnuPlot. Tutoriais e manuais mais avançados poderão decerto ser obtidos na internet. A leitores especialmente interessados no uso intensivo de sistemas matemáticos recomenda-se que explorem também o GNU Octave e o Maxima Primer (ambos usam o GnuPlot para renderização, sendo que o último suporta cálculo simbólico).
Nalguns sistemas, pode dar-se o caso de o GnuPlot já se encontrar instalado. Para verificar se o computador tem o GnuPlot instalado, execute o seguinte comando numa linha-de-comandos:
$ gnuplot
Se aparecer um erro de "comando não encontrado", o GnuPlot não se encontra instalado. Se aparecer um rol de linhas, em que a primeira diz "GNUPLOT", o seu computador já tem o GnuPlot.
Caso não o tenha instalado, pode obtê-lo usando o gestor de pacotes do seu sistema (uma ferramenta frequente nos sistemas unix-like), ou no site oficial1.
plot x
O resulta num gráfico como o da figura 1 - a cores e com muito mais qualidade do que os gráficos de algumas calculadoras.
Agora vamos representar duas funções ao mesmo tempo,
e
.
Antes de o fazermos, é necessário saber como indicar mais do que uma função e como representar potências:
Para desenharmos duas ou mais funções ao mesmo tempo, separamo-las por
vırgulas. Por exemplo, para desenhar
,
e
:
plot x, 2*x, 3*x
No GnuPlot, as potências seguem esta fórmula: b**e, em que b é a base e e o expoente.
Agora já podemos desenhar as nossas funções (resultando na figura 2):
plot x, x**2
Outra regra a ter em conta é a obrigatoriedade de indicar todas as
multiplicações (usando o operador de multiplicação, o asterisco,
*). Ou seja, para se obter o gráfico de
é necessário
escrever plot 2*x, pois plot 2x não irá funcionar.
A divisão faz-se com uma barra (/), e a soma e a multiplicação fazem-se recorrendo aos sinais do costume (+ e -).
Os números sem ponto decimal (no GnuPlot usam-se pontos em vez de vırgulas, tal como nas calculadoras) são tratados como números inteiros. Isto quer dizer que, por exemplo, escrever 1/2 é o mesmo que escrever 0, pois o resultado de uma operação com números inteiros é um número inteiro. Para se obter 0.5, é nevessário escrever 1/2.0 (ou 1.0/2).
Para usá-las, escrevemos o nome da função seguido dos argumentos
(entre parêntesis). Por exemplo, no caso do seno do ângulo de
amplitude
, a expressão é: sin(x)
Um dos problemas com que nos deparamos ao representarmos equações com funções trigonométricas é a unidade das amplitudes dos ângulos.
Para configurar o programa para graus, usamos o comando set angles degrees. Para trabalhar em radianos, executamos o comando set angles radians.
Uma das situações mais comuns é quando os dados se referem a áreas,
volumes e comprimentos (variáveis que não podem ter valores
negativos). Por exemplo, imaginemos a função
, que
permite calcular a área de um quadrado de aresta
. Começamos por
desenhar a função
(figura 3):
plot x**2
Mas como a área de um polıgono não pode ter valores negativos, torna-se necessário indicar ao GnuPlot para desenhar apenas o lado positivo da função. Para tal, usam-se parâmetros do comando plot.
Antes da lista de funções, é possıvel indicar os intervalos de dados a mostrar, usando a sintaxe
plot [xmin:xmax] [ymin:ymax] funções
em que xmin e ymin são os valores mınimos
para
e
, respectivamente, e xmax e ymax são os
valores máximos. Não é mandatório especificar todos os limites -
quando não se deseja definir um, omite-se o valor, daı que o seguinte
comando seja válido, resultando no gráfico da figura
4, que já é adequado ao contexto em causa:
plot [0:] [0:] x**2
Existem inúmeros tipos de terminal, entre eles o png e o postscript.
Primeiro, selecciona-se o terminal ``png'':
set terminal png
Depois, configura-se o terminal para escrever o resultado num ficheiro PNG (neste caso, para o ficheiro ``grafico.png''):
set output "grafico.png"
E, por fim, redesenha-se o gráfico:
replot
Para tal, seguimos um procedimento semelhante ao anterior:
set terminal postscript eps color
set output "grafico.eps"
replot
Por exemplo, para incluir uma imagem numa página web, poderá optar pelo formato SVG:
set terminal svg
set output "grafico.svg"
replot